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segunda-feira, 16 de junho de 2008

A carência humana




Eu tenho uma teoria de que não fazemos amigos pelo simples fato de gostarmos mais de determinadas pessoas, ou de termos mais afinidades com elas. Fazemos amigos por que somos carentes, e existem muitas formas de carência.

Ser carente não é ruim, pelo contrário, é a carência que nos permite liberarmos os sentimentos mais amigáveis e conseguir nos relacionarmos melhor. Se fossemos todos bem resolvidos e desprovidos da necessidade do convívio o mundo seria bem mais insensível. A carência desperta sentimentos, move ações e aproxima as pessoas.

Esta carência da qual eu me refiro é a carência de carinho, de amor, de um abraço e de tantas outras coisas que podem tornar a vida humana mais cheia de alegria. Ninguém consegue viver só, carecemos de possuir algo ou alguém para que possamos nos sentir mais completos. E é por isso que fazemos amigos.

Amizade nada mais é do que a vontade de sanar alguma carência. Por isso as amizades acabam, ou amornam, por que depois do ser carente sentir-se completo ele cria novas carências e aquilo (ou aquele) que têm já não é o bastante.

Isso não é egoísmo, é um processo involuntário e inevitável, não devemos ficar magoados com as amizades que acabam ou se distanciam, apenas devemos esperar até que sejamos novamente o objeto de carência de alguém ou que a nossa carência nos leve por outros caminhos e até outras pessoas.

Hoje minha carência é de palavras e os que lêem esse blog são meus objetos de desejo passional e totalmente desprovido de bom senso! Me perdoem por ser essa pessoa tão carente de leitores!

http://drykinha.wordpress.com/2008/02/12/a-carencia-humana/

Gostei desse blog, vale a pena dar uma lidinha!

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Cães e gatos

Como cães e gatos

Existem muitos casais que vivem em constante clima de guerra e paz
Por Mônica Vitória • 10/05/2008


Carolina Grecchi e Leonardo Dias não ficam três dias sem uma briguinha. Entre tapas e beijos, eles namoram firmemente - com algumas idas e vindas - há quatro anos. E por que continuam às rusgas? Difícil entender. Carolina diz que Leonardo está sempre implicando com ela. "Quando não é com uma brincadeirinha, às vezes de mau gosto, é com algum comentário desnecessário. Ele não tem papas na língua e acha que essa 'sinceridade' toda não machuca. Sem contar que ele tem um jeito meio 'paradão', o que me deixa irritada às vezes", afirma a estudante, de 22 anos. Já Leonardo põe a culpa em Carolina, jurando que é ela que todo dia arranja um motivo para discutir: "Ela fica nervosa com qualquer coisinha. Tem sangue quente e pavio curto. Mesmo quando fazemos as pazes ou estamos numa boa, ela começa algum assunto polêmico só para a gente discordar. E começa tudo de novo", declara o estudante de direito, de 23 anos.



Assim como eles, há muitas pessoas que insistem em relacionamentos conturbados, fazendo juras de amor apesar de viverem às turras com os parceiros. Alana Barros, de 27 anos, confessa que também se encaixa neste perfil. Namorando há um ano e meio, ela garante que é completamente apaixonada e que isso não impede que os desentendimentos ocorram com freqüência. "A gente briga muito, mas na maioria das vezes é por besteiras. Meu namorado diz que sou ciumenta e mimada, mas apenas exijo que me tratem com respeito e que ele, principalmente, se esforce em demonstrar carinho", argumenta. Talvez Alana até tenha razão em se preocupar com o namorado - ele é DJ e trabalha em inúmeras festas madrugada afora. Mas, nesse caso, não seria melhor procurar outro alguém? "De jeito nenhum! Sei que tem horas que exagero um pouco nos ciúmes, e isso acaba gerando discussões. Mas somos loucos um pelo outro e não demoramos a nos reconciliar. Quando isso acontece, aliás, é ótimo. Sempre voltamos mais apaixonados", assevera, acrescentando que o namorado também adora dar uns ataquezinhos de ciúme.



De início, achava que era assim mesmo, e quando a poeira baixava até ríamos do ocorrido. Depois, perdoava os insultos, pois faziam parte da personalidade dele. Mas tudo isso foi desgastando o meu sentimento, até que resolvi dar um basta

É claro que uma briguinha ou outra é normal e acontece, como se diz, "nas melhores famílias". Entretanto, a constância e a intensidade podem ameaçar a relação. A psicóloga e terapeuta de casais Cecília Zylberstajn não vê esse tipo de comportamento como algo saudável. "A briga nada mais é do que uma maneira hostil de lidar com uma diferença. Esta diferença pode ser, por exemplo, uma necessidade não satisfeita, algo que o parceiro faz que incomode, um desejo de mudança no outro, uma decepção com o companheiro", explica a psicóloga, destacando que esta não é nem deve ser a única maneira de resolver problemas. "O casal que só aborda as suas diferenças por meio de brigas não consegue crescer e se desenvolver. Quando falamos de forma agressiva, o conteúdo da nossa mensagem fica prejudicado. A pessoa lembra do momento, do mal-estar, dos palavrões, dos xingamentos, mas a mensagem não fica clara", observa.


Feridas que ficam



Beatriz*, de 30 anos, já sofreu muito com os bate-bocas que ela e seu ex-marido protagonizaram - muitas vezes, em público. Embora não gostasse de como o relacionamento foi se desenrolando, ela manteve o casamento por cinco anos. "Toda vez que tentava discutir a relação, por que algo me incomodava, havia uma discussão muito pior. De início, achava que era assim mesmo, e quando a poeira baixava até ríamos do ocorrido. Depois, perdoava os insultos, pois faziam parte da personalidade dele. Mas tudo isso foi desgastando o meu sentimento, até que resolvi dar um basta", revela Beatriz, que hoje procura um amor tranqüilo e carinhoso. "Se o casal não se entende, um dos dois precisa dar o braço a torcer e levantar a bandeira branca. Aprendi que, de vez em quando, alguém tem que ceder. Esse alguém, porém, não pode ser sempre a mesma pessoa", opina.

Uma pimenta forte demais

É verdade que o surgimento de uma situação adversa, um mal-entendido ou uma pequena grosseria sem propósito significa, para muitos, o estopim de uma bomba. Isso pode indicar imaturidade ou falta de tato e paciência para lidar com o outro. Para a psicóloga Cecília Zylberstajn, é muito mais válido tentar chegar a um acordo e dar preferência ao diálogo, ao invés da discussão. "A forma saudável de lidar com as diferenças é comunicar ao parceiro da forma mais clara possível o que incomoda e o que precisa que o outro faça para ficar bem. Muitas pessoas apenas reclamam do outro mas se esquecem da coisa mais preciosa: indicar ao outro o que desejam. Mostrar a expectativa de conduta é mais importante que fixar-se no comportamento que incomoda", recomenda Cecília. Segundo ela, o melhor a se fazer quando existe uma tensão é "deixar esfriar", ou seja, não discutir no afã do momento, que é quando podemos falar coisas que magoam o parceiro além da conta. "O ideal é esperar os ânimos se acalmarem e conversar depois, quando ambos estiverem calmos e tiverem pensado", aconselha.


Uma pimenta forte demais


Há casais, no entanto, que acreditam que brigar costuma ser afrodisíaco. Algumas pessoas afirmam até que provocam pequenas discussões só para depois fazer as pazes com o parceiro. Carolina Grecchi, por exemplo, revela que já fez isso. "Brincamos de implicar um com o outro porque é divertido. Tem vezes, é claro, que acabamos indo longe demais. Já terminei com o Leo por causa de um bate-boca que começou assim. Nossos amigos dizem que parecemos mais irmãos do que namorados, mas acho que isso nos ajuda a descobrir mais sobre o outro", conta. Para Alana Barros, o respeito mútuo e o envolvimento do casal deve ser maior que uma simples rusga. "Quando nos permitimos perdoar pequenos deslizes e palavras impensadas, fica mais fácil. E, realmente, existem brigas que deixam a relação mais apimentada, menos monótona. Não são poucas as vezes que resolvemos nossas diferenças na cama. A melhor parte da briga é a reconciliação", diz Alana.



Uma relação baseada no amor tem como objetivo o crescimento dos dois e, conseqüentemente, da relação. As brigas constantes são contraproducentes com este objetivo

Cecília Zylberstajn alerta que gerar desentendimento para "esquentar" a paixão ou somente para fazer as pazes depois é um comportamento similar a um vício. As brigas e términos constantes podem ser sinais de insegurança. "É uma maneira ineficiente de testar os limites da relação, bem como o amor e o compromisso do parceiro consigo, seguindo a lógica: 'se ele(a) gostar mesmo de mim, irá sofrer e implorar para volta'. A pessoa precisa constantemente das brigas e das pazes para sentir-se segura. Mas esta forma é ineficiente porque não cria as bases para um vínculo de confiança e segurança", adverte a psicóloga.



Os repetidos "latidos" e "arranhões" entre o casal podem dar origem a ofensas e cicatrizes não tão fáceis de serem esquecidas, como foi o caso de Beatriz. Por isso, a psicóloga indica que, se um dos parceiros estiver se sentindo incomodado e não conseguir dar jeito nos desentendimentos, que procure um terapeuta de casais, antes que seja tarde demais. "O profissional ajudará o casal a encontrar formas alternativas de comunicação. A psicoterapia individual também é indicada para que a pessoa entenda a insegurança pessoal que provoca as brigas e, com isso, seja capaz de criar laços maduros e emocionalmente estáveis", frisa. Cecília lembra, ainda, a importância de se buscar o equilíbrio do relacionamento com base no carinho. "Uma relação baseada no amor tem como objetivo o crescimento dos dois e, conseqüentemente, da relação. As brigas constantes são contraproducentes com este objetivo, pois não mostram o caminho da mudança positiva, e só enfocam o que está errado, e ainda de maneira agressiva e destrutiva. Dizer algo ao outro com amor é dizer com respeito e humildade, para o desenvolvimento do outro como companheiro e como pessoa", ressalta.



* O nome foi alterado a pedido da entrevistada.



Mônica Vitória