segunda-feira, 19 de maio de 2008

Uma pimenta forte demais

É verdade que o surgimento de uma situação adversa, um mal-entendido ou uma pequena grosseria sem propósito significa, para muitos, o estopim de uma bomba. Isso pode indicar imaturidade ou falta de tato e paciência para lidar com o outro. Para a psicóloga Cecília Zylberstajn, é muito mais válido tentar chegar a um acordo e dar preferência ao diálogo, ao invés da discussão. "A forma saudável de lidar com as diferenças é comunicar ao parceiro da forma mais clara possível o que incomoda e o que precisa que o outro faça para ficar bem. Muitas pessoas apenas reclamam do outro mas se esquecem da coisa mais preciosa: indicar ao outro o que desejam. Mostrar a expectativa de conduta é mais importante que fixar-se no comportamento que incomoda", recomenda Cecília. Segundo ela, o melhor a se fazer quando existe uma tensão é "deixar esfriar", ou seja, não discutir no afã do momento, que é quando podemos falar coisas que magoam o parceiro além da conta. "O ideal é esperar os ânimos se acalmarem e conversar depois, quando ambos estiverem calmos e tiverem pensado", aconselha.


Uma pimenta forte demais


Há casais, no entanto, que acreditam que brigar costuma ser afrodisíaco. Algumas pessoas afirmam até que provocam pequenas discussões só para depois fazer as pazes com o parceiro. Carolina Grecchi, por exemplo, revela que já fez isso. "Brincamos de implicar um com o outro porque é divertido. Tem vezes, é claro, que acabamos indo longe demais. Já terminei com o Leo por causa de um bate-boca que começou assim. Nossos amigos dizem que parecemos mais irmãos do que namorados, mas acho que isso nos ajuda a descobrir mais sobre o outro", conta. Para Alana Barros, o respeito mútuo e o envolvimento do casal deve ser maior que uma simples rusga. "Quando nos permitimos perdoar pequenos deslizes e palavras impensadas, fica mais fácil. E, realmente, existem brigas que deixam a relação mais apimentada, menos monótona. Não são poucas as vezes que resolvemos nossas diferenças na cama. A melhor parte da briga é a reconciliação", diz Alana.



Uma relação baseada no amor tem como objetivo o crescimento dos dois e, conseqüentemente, da relação. As brigas constantes são contraproducentes com este objetivo

Cecília Zylberstajn alerta que gerar desentendimento para "esquentar" a paixão ou somente para fazer as pazes depois é um comportamento similar a um vício. As brigas e términos constantes podem ser sinais de insegurança. "É uma maneira ineficiente de testar os limites da relação, bem como o amor e o compromisso do parceiro consigo, seguindo a lógica: 'se ele(a) gostar mesmo de mim, irá sofrer e implorar para volta'. A pessoa precisa constantemente das brigas e das pazes para sentir-se segura. Mas esta forma é ineficiente porque não cria as bases para um vínculo de confiança e segurança", adverte a psicóloga.



Os repetidos "latidos" e "arranhões" entre o casal podem dar origem a ofensas e cicatrizes não tão fáceis de serem esquecidas, como foi o caso de Beatriz. Por isso, a psicóloga indica que, se um dos parceiros estiver se sentindo incomodado e não conseguir dar jeito nos desentendimentos, que procure um terapeuta de casais, antes que seja tarde demais. "O profissional ajudará o casal a encontrar formas alternativas de comunicação. A psicoterapia individual também é indicada para que a pessoa entenda a insegurança pessoal que provoca as brigas e, com isso, seja capaz de criar laços maduros e emocionalmente estáveis", frisa. Cecília lembra, ainda, a importância de se buscar o equilíbrio do relacionamento com base no carinho. "Uma relação baseada no amor tem como objetivo o crescimento dos dois e, conseqüentemente, da relação. As brigas constantes são contraproducentes com este objetivo, pois não mostram o caminho da mudança positiva, e só enfocam o que está errado, e ainda de maneira agressiva e destrutiva. Dizer algo ao outro com amor é dizer com respeito e humildade, para o desenvolvimento do outro como companheiro e como pessoa", ressalta.



* O nome foi alterado a pedido da entrevistada.



Mônica Vitória

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